Concordância Na Classificação De Neer Da Fratura Proximal Do Úmero
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Palavras-chave

Ortopedia
Traumatologia
Úmero proximal
Fraturas
Neer

Como Citar

Silva, F. T. ., Bedin Filho, L. C. ., Torres, S. M. ., & Alves, M. W. . (2022). Concordância Na Classificação De Neer Da Fratura Proximal Do Úmero. International Journal of Health Management Review, 8(2), e0319. https://doi.org/10.37497/ijhmreview.v8i2.319

Resumo

Introdução: As fraturas de úmero proximal são aproximadamente 4 a 5% de todas as fraturas, acometendo mais idosos do sexo feminino. Como método de tratamento, seja ele cirúrgico ou conservador, é preciso classificá-la para saber o prognóstico da fratura, para isso a utilização da classificação de Neer para úmero proximal, que é uma das mais utilizadas, baseia-se em partes fraturadas do úmero. Apesar de amplamente utilizada há dissociações de avalição e reprodutibilidade radiográfica, entre examinadores.

Objetivo: Avaliar a concordância inter e intraobservacional da classificação de Neer para fraturas da extremidade proximal do úmero em adultos.

Método: Foram selecionadas radiografias de 20 casos de fratura de úmero proximal, disponibilizadas para 35 examinadores (Ortopedistas, incluindo especialistas em cirurgia de Ombro e Cotovelo), que as classificaram de acordo com a classificação de Neer, em um período de 60 dias.

Resultados: Avaliando inicialmente os 35 avaliadores com diferentes níveis de experiência, em dois momentos diferentes, com comum intervalo de 60 dias entre uma avaliação e outra, a confiabilidade intravaliador, considerando a mediana, foi excelente 0,923 (IC 95% [0,610 - 1,237]), assim como a moda 0,925 (IC 95% [0,626 – 1,224]). Na avaliação dos 20 avaliadores com maior confiabilidade intravaliador (k>0,5), a confiabilidade intravaliador, considerando a mediana entre os 20 avaliadores, foi excelente 0,923 (IC 95% [0,610 - 1,237]), assim como considerando a moda 0,855 (IC 95% [0,569 – 1,141]). Por fim, considerando os 20 avaliadores com maior confiabilidade intravaliador individual, a confiabilidade interavaliador na primeira avaliação (teste) foi leve 0,259 (IC 95% [0,239 – 0,280]), assim como na segunda avaliação (reteste) 0,289 (IC 95% [0,269 – 0,310]).

Conclusão: Este estudo evidencia que o sistema de Classificação proposto por Neer, seguindo o índice de Kappa, apresenta como resultado final uma categorização pobre de concordância, tanto intraobservacional quando interobservacional, das fraturas da extremidade proximal do úmero. Observou-se também uma confiabilidade menor (leve a desprezível) na analise interobservador. Desta forma, fica evidente a importância da utilização de outros sistemas de classificação e de métodos diagnósticos complementares, como tomografia computadorizada, para melhor avaliação e condução dos pacientes com fratura da extremidade proximal do úmero, objetivando a otimização do tratamento e reabilitação destes casos.

https://doi.org/10.37497/ijhmreview.v8i2.319
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